terça-feira, 8 de dezembro de 2009

"Noites com Sol"
(Flávio Venturini - Ronaldo Bastos)
Tradução: Helen F. Del Risco M. - Do blog Simplemente Yo (Obrigada Helen, sempre acho o que procuro em seu blog querida!)

Ouvi dizer que são milagre / Oí decir que son milagros
Noites com sol / Noches con sol
Mas hoje eu sei não são miragem / Pero hoy sé que no son espejimos
Noites com sol / Noches con sol
Posso entender o que diz a rosa ao rouxinol / Puedo enteder lo que dice la rosa al ruiseñor
Peço um amor que me conceda / Pido un amor que me conceda
Noites com sol / Noches con sol

Onde só tem o breu / Donde solo tiene oscuridad
Vem me trazer o sol / Ven a traerme el sol
Vem me trazer amor / Ven a traerme amor

Pode abrir as janelas / Puedes abrir las ventanas
Noites com sol e neblinas / Noches con sol y neblina
Deixa rolar nas retinas / Deja tus ojos abiertos
Deixa entrar o sol / Deja entrar el sol

Livre serás se não te prendem constelações / Libre serás si no te atan constelaciones
Então verás que não se vendem ilusões / Entonces verás que no se venden ilusiones

Vem que eu estou tão só / Ven que estoy tan solo
Vamos fazer amor / Vamos hacer amor
Vem me trazer o sol / Ven a traerme el sol
Vem me livrar do abandono / Ven a liberarme del abandono
Meu coração não tem dono / Mi corazón no tiene dueño
Vem me aquecer nesse outono / Ven a calentarme en este otoño
Deixa o sol entrar / Deja el sol entrar

Pode abrir as janelas / Puedes abrir las ventanas
Noites com sol são mais belas / Noches con sol son más bellas
Certas canções são eternas / Ciertas canciones son eternas
Deixa o sol entrar / Deja el sol entrar

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Ci>> un regalo a ti, Gabi! Hace como 1 año tengo un angel en mi vida! Happy Birthday a nuestro encuentro! Muy pronto te veo, besos y mas besos...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O casamento da lua

O que me contaram não foi nada disso. A mim, contaram-me o seguinte: que um grupo de bons e velhos sábios, de mãos enferrujadas, rostos cheios de rugas e pequenos olhos sorridentes, começaram a reunir-se de todas as noites para olhar a Lua, pois andavam dizendo que nos últimos cinco séculos sua palidez tinha aumentado consideravelmente.
E de tanto olharem através de seus telescópios, os bons e velhos sábios foram assumindo um ar preocupado e seus olhos já não sorriam mais; puseram-se, antes, melancólicos.
E contaram-me ainda que não era incomum vê-los, peripatéticos, a conversar em voz baixa enquanto balançavam gravemente a cabeça.
É que os bons e velhos sábios haviam constatado que a Lua estava não só muito pálida, como envolta num permanente halo de tristeza.
E que mirava o Mundo com olhos de um tal langor e dava tão fundos suspiros - ela que por milênios mantivera a mais virginal reserva - que não havia como duvidar: a Lua estava pura e simplesmente apaixonada. Sua crescente palidez, aliada a uma minguante serenidade e compostura no seu noturno nicho, induzia uma só conclusão: tratava-se de uma Lua nova, de uma Lua cheia de amor, de uma Lua que precisava dar.
E a Lua queria dar-se justamente àquele de quem era a única escrava e que, com desdenhosa gravidade, mantinha-a confinada em seu espaço próprio, usufruindo apenas de sua luz e dando azo a que ela fosse motivo constante de poemas e canções de seus menestréis, e até mesmo de ditos e graças de seus bufões, para distraí-lo em suas periódicas hipocondrias de madurez.
Pois não é que ao descobrirem que era o Mundo a causa do sofrimento da Lua, puseram-se os bons velhos sábios a dar gritos de júbilo e a esfregar as mãos, piscando-se os olhos e dizendo-se chistes que, com toda franqueza, não ficam nada bem em homens de saber...
Mas o que se há de fazer? Freqüentemente, a velhice, mesmo sábia, não tem nenhuma noção do ridículo nos momentos de alegria, podendo mesmo chegar a dançar rodas e sarabandas, numa curiosa volta à infância. Por isso perdoemos aos bons e velhos sábios, que se assim faziam é porque tinham descoberto os males da Lua, que eram males de amor.
E males de amor curam-se com o próprio amor - eis o axioma científico a que chegaram os eruditos anciãos, e que escreveram no final de um longo pergaminho crivado de números e equações, no qual fora estudado o problema da crescente palidez da Lua.
Virgens apaixonadas, disseram-se eles, precisam casar-se urgentemente com o objeto de sua paixão. Mas, disseram-se eles ainda, o que pensaria disso o desdenhoso Mundo, preocupado com as suas habituais conquistas?
O problema era dos mais delicados, pois não se inculca tão facilmente, em seres soberanos, a idéia de desposarem suas escravas. Todavia, como havia precedentes, a única coisa a fazer era tentar.
Do contrário operar-se-ia uma partenogênese na Lua, o que seria em extremo humilhante e sem graça para ela. Não. Proceder-se-ia a uma inseminação artificial e, uma vez o fato consumado, por força haveria de se abrandar o coração do Mundo.
E assim se fez. Durante meses estudaram os homens de saber, entre seus cadinhos e retortas, e com grande gasto de papel e tinta, o projeto de um lindo corpúsculo seminal que pudesse fecundar a Lua.
Um belo dia ei-lo que fica pronto, para gáudio dos bons e velhos sábios, que o festejaram profusamente com danças e bebidas tendo havido mesmo alguns que, de tão incontinentes, deixaram-se a dormir no chão de seus laboratórios, a roncar como pagãos.
Chamaram-no Lunik, como devia ser.
E uma noite, em que o Mundo agitado pôs-se a sonhar sonhos eróticos, subitamente partiu ele, o lindo corpúsculo seminal, sequioso e certeiro em direção à Lua, que, em sua emoção pré-nupcial, mostrava com um despudor desconhecido nela as manchas mais capitosas de seu branco corpo à espera.
Foi preciso que o Vento, seu antigo guardião, escandalizado, se pusesse a soprar nuvens por todos os lados, com toda a força de suas bochechas, para encobrir o firmamento com véus de bruma, de modo a ocultar a volúpia da Lua expectante, a altear os quartos nas mais provocadoras posições.
Hoje, fecundada, ela voltou finalmente ao céu, serena e radiosa como nunca a vira dantes.
Pela expressão com que me olhou, penso que já está grávida.
Ou muito me engano, ou amanhã deve estar cheia.
(Para viver um grande amor (crônicas e poemas) De VINÍCIUS DE MORAES)

Uma música que seja...

... como os mais belos harmónicos da natureza. Uma música que seja como o som do vento na cordoalha dos navios, aumentando gradativamente de tom até atingir aquele em que se cria uma recta ascendente para o infinito. Uma música que comece sem começo e termine sem fim. Uma música que seja como o som do vento numa enorme harpa plantada no deserto. Uma música que seja como a nota lancinante deixada no ar por um pássaro que morre. Uma música que seja como o som dos altos ramos das grandes árvores vergastadas pelos temporais. Uma música que seja como o ponto de reunião de muitas vozes em busca de uma harmonia nova. Uma música que seja como o voo de uma gaivota numa aurora de novos sons...

Vinicius de Moraes, in Poesia completa e prosa: "A lua de Montevideu", 1998

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Ci>> ... para viver um grande amor!!!

Poema de Aniversário (ADAPTADO)

Porque fizeste anos, Bem-amado, e a asa do tempo roçou teus cabelos negros, e teus grandes olhos calmos miraram por um momento o inescrutável Norte…
Eu quisera dar-te, ademais dos beijos e das rosas, tudo o que nunca foi dado por uma mulher à seu amado, eu que tão pouco te posso ofertar. Quisera dar-te, por exemplo, o instante em que nasci, marcado pela fatalidade de tua vinda. Verias, então, em mim, na transparência do meu peito, a sombra de tua forma anterior a ti mesmo.
Quisera dar-te também o mar onde nadei menina, o tranqüilo mar de ilha em que me perdia e em que mergulhava, e de onde trazia a forma elementar de tudo o que existe no espaço acima — estrelas mortas, meteoritos submersos, o plancto das galáxias, a placenta do Infinito.
E mais, quisera dar-te as minhas loucas carreiras à toa, por certo em premonitória busca de teus braços, e a vontade de grimpar tudo de alto, e transpor tudo de proibido, e os elásticos saltos dançarinos para alcançar folhas, aves, estrelas — e a ti mesmo, luminoso, a derramar claridade em mim menina.
Ah, pudesse eu dar-te o meu primeiro medo e a minha primeira coragem; o meu primeiro medo à treva e a minha primeira coragem de enfrentá-la, e o primeiro arrepio sentido ao ser tocada de leve pela mão invisível da Morte.
E o que não daria eu para ofertar-te o instante em que, jazente e sozinha no mundo, enquanto soava em prece o cantochão da noite, vi tua forma emergir do meu flanco, e se esforçar, imensa ondina arquejante para se desprender de mim; e eu te pari gritando, em meio a temporais desencadeados, rota e imunda do pó da terra.
Gostaria de dar-te, e-Namorado, aquela madrugada em que, pela primeira vez, as brancas moléculas do papel diante de mim dilataram-se ante o mistério da poesia subitamente incorporada; e dá-la com tudo o que nela havia de silencioso e inefável — o pasmo das estrelas, o mudo assombro das casas, o murmúrio místico das árvores a se tocarem sob a Lua.
E também o instante anterior à tua vinda, quando, esperando-te chegar, relembrei-te ainda adolescente naquela mesma cidade em que te reencontrava anos depois; e a certeza que tive, ao te olhar, da fatalidade insigne do nosso encontro, e de que eu estava, de um só golpe, perdida e salva.
Quisera dar-te, sobretudo, Amado meu, o instante da minha morte; e que ele fosse também o instante da tua morte, de modo que nós, por tanto tempo em vida separados, vivêssemos em nosso descenso uma só eternidade; e que nossos corpos fossem embalsamados c sepultados juntos e acima da terra; e que todos aqueles que ainda se vão amar pudessem ir mirar-nos em nosso último leito; e que sobre nossa lápide comum jazesse a estátua de um homem parindo uma mulher do seu flanco; e que nela houvesse apenas, como epitáfio, estes versos finais de uma canção que te dediquei:
… dorme, que assim
dormirás um dia
na minha poesia
de um sono sem fim…

adaptado do "Poema de Aniversário" de Vinícius de Moraes

domingo, 6 de dezembro de 2009

Aceitação

Aceitação é aquele estado em que você pode ficar diante de sua própria natureza e não se esquivar, ver o que está bloqueando e permanecer neutro.
No início, o simples ato de olhar é um desafio; no fim, o desafio é passar além do que você vê e ver tudo mudar. Porque olhar de cima é como se, livres do seu toque, os problemas se dissolvessem sozinhos.
Acima de tudo, a aceitação é estar longe, longe daquele estado de ódio que resulta geralmente do medo.

Autor Anthea Church
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Ci>> ou ainda, aceitação é enxergar que o que está longe o está simplesmente pelo fato de que não pode ser teu ainda, que por alguma peça do destino, deve permanecer por mais um tempo além das tuas possibilidades... a aceitação neste caso é justamente não se ver desesperar por isso, e crer que, há um universo maior que isso, capaz de se mover a seu favor, e que te trará o que for melhor para voce, mesmo que seja algo/alguém diferente do que se quer... há um Deus que vê suas necessidades e suas súplicas, e apesar de ouvir seus pedidos, te dá o que melhor te será para seu progresso... a história não mente, assim é!