quarta-feira, 18 de março de 2009

Uma flor selvagem... o amor!


O amor é uma escultura que se faz sozinha. É uma flor inesperada sem estação do ano para surgir nem para morrer. Vai sendo esboçada assim ao léo: aqui a sobrancelha se arqueia, ali desce a curva do pescoço, a mão toca a ponta de um pé, no meio estende-se a floresta das mil seduções.

Imponderável como a obra de arte, o amor nem se define nem se enquadra: é cada vez outro, e novo, embora tão velho. Intemporal. Planta selvagem, precisa de ar para desabrochar mas também se move nos vãos mais escuros, em ambientes sufocantes onde rebrilham os olhos malignos da traição ou da indiferença, e a culpa o pode matar.

O convívio é o exercito do amor na corda bamba. Os corpos se acomodam, as almas se espreitam, até se complementam. Mas pode-se cair no tédio – sem rede –, e bocejar olhando pela janela. Inventamos receitas para que o amor melhore, perdure, se incendeie e renove... nem murche nem morra. Nenhuma funciona: ele foge de qualquer sensatez, como o perfume das maçãs escapa num cesto de vime tampado.

Se fossemos sensatos haveríamos de procurar nem amar, amar pouco, amar menos, amar com hora marcada e limites. Mas o amor, que nunca tem juízo, nos prega peças quando e onde menos esperamos. Nunca nos sentimos tão inteiros como nesses primeiros tempos em que estamos fragmentados: tirados de nós mesmos e esvaziados de tudo o mais, plenos só do outro em nós. Nos sentimos melhore, mais bonitos, andamos com mais elegância, amamos mais os amigos, todo mundo foi perdoados, nosso coração é um barco para o qual até naufragar seria glorioso (ah, que naufrágios...).

Mais que isso, nesse castelo – como em qualquer castelo – não pode haver dois reis. Quem então cederá seu lugar, quem será sábio, quem se fará gueixa submissa ou servo feliz, para que o outro tome o lugar e se entronize e... reine?

A palavra “liberdade” teria de ser mais presente, porém é mais convidada a discretamente afastar-se e permitir que em seu lugar assuma o comando alguma subalterna: tolerância, resignação, doação, adaptação. Rondando o fosso do castelo, a vilã de todas a culpa.

Quem deixou sobre minha mesa o bilhete dizendo “se você ama alguém, deixe-o livre” sabia das coisas, portanto sabia também o desafio que me lançava. No mundo das palavras há tantos artifícios quantas são as nossas contradições. Por isso, conviver é tramar, trançar, largar, pegar, perder. E nunca definitivamente entender o que – se fossemos um pouco sábios – deveríamos fazer.

Farsa, tragédia grega, outras soneto perfeito: o amor, com as palavras, se disfarça em doces armadilhas ou lâminas.

(por Lya Luft - do blog primeiroprograma.com)

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Ci>> Ser amado é fácil, é cômodo, é gostoso, nos faz sentir bem, massageia o ego, nos faz andar em nuvens... receber carinho, amor, compreensão, um bom dia inesperado, uma boa noite de surpresa, flores, poesias, presentes, carinho... ser surpreendido por alguém é muito bom.
Mas AMAR alguém é uma arte. A arte de doar-se sem esconder-se atrás do sentimento, sem fingir, sem dissimular o que existe, sem egoísmo e orgulho... de deixar que o ser amado escolha estar ao seu lado ou não; escolha onde ir e quando voltar; escolha quando deve chegar e se deve partir... escolha com quem estar, mesmo que este "quem" não seja você. Amar não é dizer eu te amo, mas demonstrar através de gestos ou qualquer outra forma, o quanto o outro é importante em sua vida, e que sua ausência é sentida, assim como sua presença é festejada. Amar é doar o melhor que temos dentro de nós e não pedir absolutamente nada em troca (nem reconhecimento). É falar em silêncio tudo o que se espera de alguém (pois amor não se cobra), esperar pela oportunidade certa, oferecer uma música que diz exatamente o que o coração quer falar e ler as formas do ser amado em uma canção... Não existe uma "list to do" de como amar, porque amar não é uma tarefa, portanto não há um "como", uma fórmula, um jeito certo, uma regra.
Amar é um sentimento, um estado de espírito, um estado da Alma. Amar é prá poucos, é prá quem sabe sentir o amor...

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