quarta-feira, 29 de abril de 2009

SER OU NÃO SER DE NINGUÉM?

Na hora de cantar todo mundo enche o peito nas boates, nos bares, levanta os braços, sorri e dispara: "eu sou de ninguém, eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também".
No entanto, passado o efeito do uísque com energético e dos beijos descompromissados, os adeptos da geração "tribalista" se dirigem aos consultórios terapêuticos, ou alugam os ouvidos do amigo mais próximo e reclamam de solidão, ausência de interesse das pessoas, descaso e rejeição.
A maioria não quer ser de ninguém, mas quer que alguém seja seu.
Beijar na boca é bom? Claro que é! Manter-se sem compromisso, viver rodeado de amigos em baladas animadíssimas é legal? Evidente que sim. Mas por que reclamam depois?
Será que os grupos tribalistas se esqueceram da velha lição ensinada no colégio, onde "toda ação tem uma reação".
Agir como tribalista tem conseqüências, boas e ruins, como tudo na vida....
Não dá, infelizmente, para ficar somente com a cereja do bolo – beijar de língua, namorar e não ser de ninguém. Para comer a cereja é preciso comer o bolo todo e nele, os ingredientes vão além do descompromisso, como: não receber o famoso telefonema no dia seguinte, não saber se está namorando mesmo depois de sair um mês com a mesma pessoa, não se importar se o outro estiver beijando outra etc., etc., etc. Embora já saibam namorar, "os tribalistas" não namoram. Ficar, também é coisa do passado. A palavra de ordem hoje é "namorix". A pessoa pode ter um, dois e até três namorix ao mesmo tempo.
Dificilmente está apaixonada por seus namorix, mas gosta da companhia do outro e de manter a ilusão de que não está sozinho.
Nessa nova modalidade de relacionamento, ninguém pode se queixar de nada.
Caso uma das partes se ausente durante uma semana, a outra deve fingir que nada aconteceu, afinal, não estão namorando. Aliás, quando foi que se estabeleceu que namoro é sinônimo de cobrança? A nova geração prega liberdade, mas acaba tendo visões unilaterais. Assim como só deseja "a cereja do bolo tribal", enxerga somente o lado negativo das relações mais sólidas.
Desconhece a delícia de assistir a um filme debaixo das cobertas num dia chuvoso comendo pipoca com chocolate quente, o prazer de dormir junto abraçado, roçando os pés sob as cobertas e a troca de cumplicidade, carinho e amor.
Namorar é algo que vai muito além das cobranças. É cuidar do outro e ser cuidado por ele, é telefonar só para dizer bom dia, ter uma boa companhia para ir ao cinema de mãos dadas, transar por amor, ter alguém para fazer e receber cafuné, um colo para chorar, uma mão para enxugar lágrimas, enfim, é ter "alguém para amar".
Já dizia o poeta que "amar se aprende amando" e se seguirmos seu raciocínio, esbarraremos na lição que nos foi passada nas décadas, também, passadas: relação é sinônimo de desilusão. O número avassalador de divórcios nos últimos tempos, só veio a confirmar essa tese e aqueles que se divorciaram (pais e mães dos adeptos do tribalismo), vendem, na maioria das vezes, a idéia de que casar é um péssimo negócio e que uma relação sólida é sinônimo de frustrações futuras.
Talvez seja por isso que pronunciar a palavra "namoro" traga tanto medo e rejeição. No entanto, vivemos em uma época muito diferente daquela em que nossos pais viveram. Hoje, podemos optar com maior liberdade e não somos mais obrigados a "comer sal junto até morrer". Não se trata de responsabilizar pais e mães, ou atribuir um significado latente aos acontecimentos vividos e assimilados na infância, pois somos responsáveis por nossas escolhas, assim como o que fazemos com as lições que nos chegam.
A questão não é causal, mas quem sabe correlacional. Podemos aprender a amar se relacionando, trocando experiências, afetos, conflitos e sensações. Não precisamos amar sob os conceitos que nos foram passados. Somos livres para optarmos! E ser livre não é beijar na boca e não ser de ninguém. É ter coragem, ser autêntico e se permitir viver um sentimento... É arriscar, pagar para ver e correr atrás da felicidade. É doar e receber, é estar disponível de alma, para que as surpresas da vida possam aparecer. É compartilhar momentos de alegria e buscar tirar proveito até mesmo das coisas ruins.
Ser de todo mundo e não ser de ninguém é o mesmo que não ter ninguém, também... É não ser livre para trocar e crescer... É estar fadado ao fracasso emocional e à tão temida solidão.
By JABOR - texto recebido do Paulinho
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Ci>> A Liberdade tem seus encantos, até mesmo para quem está iniciando nessa doce vida do "sou dono da minha vontade"... ela é doce, é complacente, cúmplice, verdadeira, simpática a TODOS os nossos desejos... mas é traiçoeira... por que esconde as maldades que temos no coração, os defeitos que carregamos por sermos simplesmente HUMANOS... Ser Livre tem mais consequências do que se pode imaginar. Tudo nos é lícito, mas nem tudo nos convém... e a semeadura é facultativa, mas a colheita é obrigatória! Estes dois ditados prá mim traduzem exatamente tudo isso que escrevi. Eu, particularmente, Piscianíssima, ascendente em Escorpião, e Macaco do horóscopo chinês, não poderia deixar de dizer que a liberdade me atrai, me seduz, mas não me encanta. Sou mais o filminho embaixo das cobertas a dois, com pipoca e beijo na boca, do que a balada. Não que a balada não encante tbem, mas não é o que me motiva. Sou emoção, sou carinho, e já me defini assim, não quero mudar. Também não acho que não se possa ser livre e ter alguém a seu lado ao mesmo tempo. Desde que isso seja feito sobre a esfera do respeito mútuo e recíproco. Se você não se define, não sabe quem é. E se não sabe quem é, não sabe o que quer, tão pouco o que você Não quer. Prá mim, a receita para ambos em uma relação é: "deixe a porta da gaiola aberta, que eu volto para o meu cantinho. Por que eu amo estar no meu cantinho e ter para onde voltar. E por estar aberta, eu sei que você confia, portanto não vou trair sua confiança. Mas não me prenda, não marque meus passos. E não faça prá mim o que não quer prá vc!". Bjs, bom dia a todos!

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