sábado, 23 de maio de 2009

CRONICA DA SORDIDEZ

Os sonhos têm uma razão de ser, como a razão tem o objetivo de fazer progredir as peripécias do pensamento. O vulgo acredita que tudo acontece pelas mãos de Deus, enquanto o sábio vê nas coisas de Deus uma razão de ser para tudo. E enquanto os sonhos se debatem com a razão pelo trono da consciência, os sentimentos elouquecem as emoções em busca da supremacia sobre o coração. É uma guerra sem prognósticos, uma disputa insensurável pelo domínio do destino que promoverá discórdia no reino dos instintos. A raiva, inimiga mortal da condolência, entrega-se ao vilipêndio do ódio, disseminando agruras e mágoas como presentes inconsoláveis de sua voraz dolência. A esperteza, não submissa ao conformismo da tolerância, aguça a ambição desmedida, contrariando os princípios da delicadeza e do respeito. A loucura, abduzida do espaço de sua total ignorância, rechaça-se no trono esquizofrênico da apatia, promovendo o acumulo de ilusão, ao que a mente chamaria de esquecimento.
Aliados da paz transformam-se em vingadores da tranquilidade, castram os detalhes da sensatez robustecendo a condolência da intemperança. O virtuoso torna-se insano, o zeloso torna-se chacal, a fera se disfarça de anjo, o bem é só o revés do mal - em sua dobra de magnitude inconsequente. Não existe verdugo da imoralidade, mas a imoralidade gera verdugos de maledicência concupisciosa. O vermelho do sangue torna-se o rubor da morte, quando a enteléquia encontra a catarse da letargia intelectual. Aliados do destemor da imprevidência estão os caprichos tortuosos da imprudência, que socorridos pelo amparo do sofrimento voraz, se apraz com a ressonância dos lamentos que lhes alimentam. O desterro já não é mais bruto, porque o ímpio se tornou consciente de sua ignóbil hostilidade, definhando o fel de sua magna estupidez, calça os sapatos da vicissitude e destranca a porta da sordidez. E quando a cela da morbidez veste o cavalo da servidão, o escravo das intempéries cai desvalido no redemoinho da cupidez, revelando o desastre de suas escolhas malfadadas, conspurcando o dossel da sua vez. Quando o caminho da violência gera o desregramento da ordem, a razão perde sua chama de esperança, desabonando a concretização dos sonhos, combalidos e declinados de suas reais intenções.
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Ci>> De que valem os conflitos internos se não para nos trazer a realidade aos olhos, por melhor ou pior que seja? Se não para nos chacoalhar e colocar as peças em seus devidos lugares, em busca do que devemos corrigir inside? De que valem os conflitos nossos, se não para transformar a comodidade da certeza na turbulência do 'será'? São poucas as vezes nas quais a vida vem e dá uma vira volta, e bagunça tudo denovo, e te faz perguntar 'por que?'! São estas poucas vezes, as poucas oportunidades que recebemos do plano maior para parar e rever todos os conceitos, e mudar o que deve ser mudado... aproveita quem percebe que o próximo conflito demorará a vir denovo, e talvez seja tarde... ;P

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