segunda-feira, 15 de junho de 2009

O Pavão

Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros, e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.
Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.
(Rubem Braga, considerado por muitos o maior cronista brasileiro; texto publicado em 1958, extraído do livro “Ai de ti, Copacabana” - do site do Primeiro Programa)
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Ci>> a Beleza de alguém, de algum fato, de algum gesto ou comportamento está nas coisas simples, no que há de mais simples e menos "enfeitado" digamos assim. Porque na simplicidade de cada um encontramos exatamente a beleza verdadeira, aquela que brilha à luz dos olhos. E tudo o que parece estar sob "enfeites" busca mascarar aquilo que não é real, e que portanto, não tem beleza alguma... se houvesse, não necessitaria adornos para se mostrar! Tenham uma semana plena amigos! Bjs.

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