sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Amor de minhas entranhas, morte viva,
em vão espero tua palavra escrita
e penso, com a flor que se murcha,
que se vivo sem mim quero perder-te.

O ar é imortal. A pedra inerte
nem conhece a sombra nem a evita.
Coração interior não necessita
o mel gelado que a lua verte.

Porém eu te sofri. Rasguei-me as veias,
tigre e pomba, sobre tua cintura
em duelo de kordiscos e açucenas.

Enche, pois, de palavras minha loucura
ou deixa-me viver em minha serena
noite da alma para sempre escura.

Federico Garcia Lorca

(García Lorca era escritor, poeta e dramaturgo, um dos mais conhecidos literatos da língua espanhola. Criou o grupo de teatro "La Barraca". Socialistas sem esconder suas idéias, teve suas obras proibidas por Francisco Franco. Foi preso por ordem de um Deputado católico sob a alegação de que ele era "mais perigoso com a caneta do que outros com o revólver". Em 19/08/1936 foi executado pelos franquistas com um tiro na nuca na cidade de Granada, Espanha. Sendo assim uma das primeiras vítimas da Guerra Civil espanhola. - DO BLOG "AMIGOS DO FREUD")

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