terça-feira, 29 de dezembro de 2009

Ismália

Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.

No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...

E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...

E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...

As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...

(Alphonsus de Guimarães)

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Um pouco de poesia, afinal de Ismália louca todo mundo tem um pouco...

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

E Deus fez a mulher...

...
Houve harmonia no paraíso.
O diabo vendo isso resolveu complicar...

Deus deu a mulher cabelos sedosos e esvoaçantes.
O diabo deu pontas duplas e ressecadas.
Deus deu a mulher seios firmes e bonitos.
O diabo os fez crescer e cair.
Deus deu a mulher um corpo esbelto e provocante.
O diabo inventou a celulite, as estrias e o culote.
Deus deu a mulher musculos perfeitos.
E o diabo os cobriu com lipoglicerídios.
Deus deu a mulher uma voz suave, doce e melodiosa.
O diabo a fez falar demais.
Deus deu a mulher um temperamento dócil.
E o diabo inventou a TPM.
Deus deu a mulher um andar elegante.
O diabo investiu no sapato de salto alto.

Então Deus deu a mulher infinita beleza interior.
E o diabo fez o homem perceber só o lado de fora.
Deus fez a mulher ficar maravilhosa aos 30, vibrante aos 40.
O diabo deu de presente a menopausa aos 50...
Só pode haver uma explicação para isso:

O diabo é V I A D O !!!!!

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Suspeita

Suspeita é a "crença desfavorável, acompanhada de desconfiança" , referente a alguma coisa ou a alguém. Mau juízo decorrente de idéia
vaga, sem apoio legítimo, que, no entanto, se transforma em urze calamitosa, espraiando-se no campo mental e culminando por asfixiar os
nobres ideais em que se devem sustentar as aspirações humanas.

De maleável contextura, a suspeita, semelhante ao miasma sutil, se adensa e se avoluma, logrando vencer quem a cultiva.

Normalmente, reflete o estado espiritual daquele que a agasalha.

A consciência reta não lhe dá guarida, enquanto o sentimento atormentado padece-lhe a constrição, o estigma.

Necessário cercear-lhe o avanço, porquanto, de fácil aceitação corrói as melhores estruturas, conseguindo exteriorizar- se em
maledicência vinagrosa, que numa frase decepa uma existência digna e, num sorriso de mofa, ceifa as mais elevadas expressões de jovialidade e de progresso.

A suspeita é a genitora do ciúme, que dela se nutre, passando de simples idéia leviana a obsessão tormentosa, geradora de alucinação
e impulsionadora de crimes.

Ninguém está imune à suspeita do próximo.

Cada um vê uma paisagem conforme a cor das lentes que tem sobre os olhos. Assim, muitos fatos parecem o que melhor convém aos espectadores ou às suas personagens.

Coarctado pela insidiosa suspeita dos levianos e maliciosos, não sintonizes os teus com os seus pensamentos enfermos.

Insiste na perseverança das realizações a que te vinculas, sem permitir-te diminuir a intensidade que lhe conferes.

Muitas vezes o que parece ser, verdadeiramente tem outra significação, que não pode ser apreendida de relance. Mesmo em acurada
observação, fatos e coisas se expressam mais de acordo com o observador do que com a sua própria estrutura.

Abre, assim, o espírito à tranqüilidade e não estaciones nos degraus da mágoa que a suspeita dos outros coloca à tua frente, nem
te facultes a leviandade de suspeitar de ninguém.

Quem erra, faz-se escravo do gravame que comete.

O culpado, embora se disfarce, conhece a face do engano ou do crime perpetrado.

Ninguém se evade da província da consciência culpada, antes de conseguiu o ônus da auto-recuperação.

Não poucas vezes, no Colégio Galileu, quando medravam suspeitas e maledicências, o Mestre Irrepreensível conclamou ao amor integral e
à confiança ilimitada.

Por essa razão, toda a mensagem da Boa Nova está estruturada no perdão e na humildade, com que o cristão deve pavimentar o caminho
da sua ascensão espiritual.

E apesar de seguir sob a perniciosa suspeita de quase todos que O cercavam, Jesus permaneceu integérrimo, edificando o Reino de Deus, até mesmo quando traído e sacrificado, atestando do alto da Cruz ser o símbolo perene da suprema vitória do Espírito ilibado, como
estímulo para os caminhantes da retaguarda, que somos todos nós.

Guarda-te, portanto, na paz, sem suspeitar de ninguém.
 
(pelo Espírito Joanna de Ângelis - Do livro: Celeiro de Bênçãos, Médium: Divaldo Pereira Franco, Editora LEAL.)
 
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Ci>> Confiar não é ser bobo, nem ingênuo... é não levantar guarda contra um possível inocente!

O VALOR DO AUXÍLIO

O valor do auxílio não está na intenção do pedinte, mas na intenção do doador. Quem trabalha no bem deve dar sem olhar a quem. Ante a Vida Maior, como ensina Albino Teixeira, o que vale é o que fazemos em favor do bem. Se os que nos procuram trazem o coração envenenado, a mente cheia de suspeitas injustas e o ardil nos lábios, é evidente que são os mais necessitados. Pois pode haver maior necessidade do que aquela que ignora a si mesma?

Se os Espíritos Superiores não advertem o médium quanto as más intenções do consulente, é porque este deve ser socorrido e o médium precisa aprender a auxiliar até mesmo quando enganado.

O resultado das boas ações é computado pela evolução. O galhofeiro de hoje evoluirá amanhã e acabará por envergonhar-se de si próprio.

Precisamos considerar que a Terra é ainda um reduto da ignorância. O consulente ardiloso ignora a extensão da sua maldade. Tanto assim que busca a verdade através da mentira. Não compreende a importância do ato mediúnico e por isso não pode avaliar o que faz. Age inconscientemente no uso da própria consciência. Pode haver maior alienação do que essa? O médium, pelo contrário, está na plena posse da sua consciência voltada para o bem. Pode haver maior integridade moral no comportamento humano?

Que importa se o consulente alardear que enganou o médium? Acaso o médium não é uma criatura humana e, portanto, falível? Quer o médium gozar da infalibilidade, quer ter algum privilegio na sua condição humana? Mediunidade a serviço do bem é aprendizado como qualquer outro. Se o médium se sentisse infalível, estaria à beira da falência. É melhor falir entre os homens ou perante os homens, por amor, do que falir ante a Espiritualidade Superior por vaidade e orgulho.

A obra mediúnica sincera e nobre não é afetada por alguns episódios de prova. Os benefícios semeados através do trabalho digno não são depreciados pela maledicência e a ignorância. Os que receberam o bem de que necessitavam saberão multiplicá-lo ao seu redor. Porque grande é o clamor dos que sofrem e mesquinho o esgar dos zombeteiros. Prosseguir no bom combate, à maneira de Paulo, é o dever de todos os médiuns a serviço do bem.
 
(por Irmão Saulo - Do livro: Diálogo dos Vivos, Médium: Francisco Cândido Xavier e J. Herculano Pires.)

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Ci>> para os que pensam que quando dizemos algo em favor do outro, ainda que pareça, é falsidade, ou advinhação, ou ainda uma forma de se aproximar deste ou daquele... cuidado, não brinque com o que não conhece. Ser um instrumento é uma benção, e receber desta benção uma orientação é uma dádiva de Deus... então não procure ajuda se não confia nela. Smiley piscando Emoticon

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

O Amor Por Entre o Verde

“... E se prosseguirem se amando, pergunto-me em vão, será que um dia se casarão e serão felizes? Quando, satisfeita a sua jovem sexualidade, se olharem nos olhos, será que correrão um para o outro e se darão um grande abraço de ternura? Ou será que se desviarão o olhar, para pensar cada um consigo mesmo que ele não era exatamente aquilo que ela pensava e ela era menos bonita ou inteligente do que ele a tinha imaginado?
É um tal milagre encontrar, nesse infinito labirinto de desenganos amorosos, o ser verdadeiramente amado... Perco-me, por um momento, na observação triste, mas fria, desse estranho baile de desencontros, em que freqüentemente aquela que devia ser daquele acaba por bailar com outro porque o esperado nunca chega; e este, no entanto, passou por ela sem que ela o soubesse, suas mãos sem querer se tocaram, eles olharam-se nos olhos por um instante e não se reconheceram...”
(Vinicius de Moraes - O Amor Por entre o Verde)
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Ci>> uma overdose de Vinícius de Moraes!!! Que deliciaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa, como é bom ler e engolir Vinicius! Como é bom sentir Vinicius! dá uma sensação de tudo certo, de tudo vai dar certo, de tudo está certo! Vinicius deveria ser um verbo: "eu Vinicius o amor!"; um substantivo: "eu estou Vinicius hoje!"... não canso de ler, de ver, de ouvir, de Viniciar!!!

"Noites com Sol"
(Flávio Venturini - Ronaldo Bastos)
Tradução: Helen F. Del Risco M. - Do blog Simplemente Yo (Obrigada Helen, sempre acho o que procuro em seu blog querida!)

Ouvi dizer que são milagre / Oí decir que son milagros
Noites com sol / Noches con sol
Mas hoje eu sei não são miragem / Pero hoy sé que no son espejimos
Noites com sol / Noches con sol
Posso entender o que diz a rosa ao rouxinol / Puedo enteder lo que dice la rosa al ruiseñor
Peço um amor que me conceda / Pido un amor que me conceda
Noites com sol / Noches con sol

Onde só tem o breu / Donde solo tiene oscuridad
Vem me trazer o sol / Ven a traerme el sol
Vem me trazer amor / Ven a traerme amor

Pode abrir as janelas / Puedes abrir las ventanas
Noites com sol e neblinas / Noches con sol y neblina
Deixa rolar nas retinas / Deja tus ojos abiertos
Deixa entrar o sol / Deja entrar el sol

Livre serás se não te prendem constelações / Libre serás si no te atan constelaciones
Então verás que não se vendem ilusões / Entonces verás que no se venden ilusiones

Vem que eu estou tão só / Ven que estoy tan solo
Vamos fazer amor / Vamos hacer amor
Vem me trazer o sol / Ven a traerme el sol
Vem me livrar do abandono / Ven a liberarme del abandono
Meu coração não tem dono / Mi corazón no tiene dueño
Vem me aquecer nesse outono / Ven a calentarme en este otoño
Deixa o sol entrar / Deja el sol entrar

Pode abrir as janelas / Puedes abrir las ventanas
Noites com sol são mais belas / Noches con sol son más bellas
Certas canções são eternas / Ciertas canciones son eternas
Deixa o sol entrar / Deja el sol entrar

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Ci>> un regalo a ti, Gabi! Hace como 1 año tengo un angel en mi vida! Happy Birthday a nuestro encuentro! Muy pronto te veo, besos y mas besos...

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O casamento da lua

O que me contaram não foi nada disso. A mim, contaram-me o seguinte: que um grupo de bons e velhos sábios, de mãos enferrujadas, rostos cheios de rugas e pequenos olhos sorridentes, começaram a reunir-se de todas as noites para olhar a Lua, pois andavam dizendo que nos últimos cinco séculos sua palidez tinha aumentado consideravelmente.
E de tanto olharem através de seus telescópios, os bons e velhos sábios foram assumindo um ar preocupado e seus olhos já não sorriam mais; puseram-se, antes, melancólicos.
E contaram-me ainda que não era incomum vê-los, peripatéticos, a conversar em voz baixa enquanto balançavam gravemente a cabeça.
É que os bons e velhos sábios haviam constatado que a Lua estava não só muito pálida, como envolta num permanente halo de tristeza.
E que mirava o Mundo com olhos de um tal langor e dava tão fundos suspiros - ela que por milênios mantivera a mais virginal reserva - que não havia como duvidar: a Lua estava pura e simplesmente apaixonada. Sua crescente palidez, aliada a uma minguante serenidade e compostura no seu noturno nicho, induzia uma só conclusão: tratava-se de uma Lua nova, de uma Lua cheia de amor, de uma Lua que precisava dar.
E a Lua queria dar-se justamente àquele de quem era a única escrava e que, com desdenhosa gravidade, mantinha-a confinada em seu espaço próprio, usufruindo apenas de sua luz e dando azo a que ela fosse motivo constante de poemas e canções de seus menestréis, e até mesmo de ditos e graças de seus bufões, para distraí-lo em suas periódicas hipocondrias de madurez.
Pois não é que ao descobrirem que era o Mundo a causa do sofrimento da Lua, puseram-se os bons velhos sábios a dar gritos de júbilo e a esfregar as mãos, piscando-se os olhos e dizendo-se chistes que, com toda franqueza, não ficam nada bem em homens de saber...
Mas o que se há de fazer? Freqüentemente, a velhice, mesmo sábia, não tem nenhuma noção do ridículo nos momentos de alegria, podendo mesmo chegar a dançar rodas e sarabandas, numa curiosa volta à infância. Por isso perdoemos aos bons e velhos sábios, que se assim faziam é porque tinham descoberto os males da Lua, que eram males de amor.
E males de amor curam-se com o próprio amor - eis o axioma científico a que chegaram os eruditos anciãos, e que escreveram no final de um longo pergaminho crivado de números e equações, no qual fora estudado o problema da crescente palidez da Lua.
Virgens apaixonadas, disseram-se eles, precisam casar-se urgentemente com o objeto de sua paixão. Mas, disseram-se eles ainda, o que pensaria disso o desdenhoso Mundo, preocupado com as suas habituais conquistas?
O problema era dos mais delicados, pois não se inculca tão facilmente, em seres soberanos, a idéia de desposarem suas escravas. Todavia, como havia precedentes, a única coisa a fazer era tentar.
Do contrário operar-se-ia uma partenogênese na Lua, o que seria em extremo humilhante e sem graça para ela. Não. Proceder-se-ia a uma inseminação artificial e, uma vez o fato consumado, por força haveria de se abrandar o coração do Mundo.
E assim se fez. Durante meses estudaram os homens de saber, entre seus cadinhos e retortas, e com grande gasto de papel e tinta, o projeto de um lindo corpúsculo seminal que pudesse fecundar a Lua.
Um belo dia ei-lo que fica pronto, para gáudio dos bons e velhos sábios, que o festejaram profusamente com danças e bebidas tendo havido mesmo alguns que, de tão incontinentes, deixaram-se a dormir no chão de seus laboratórios, a roncar como pagãos.
Chamaram-no Lunik, como devia ser.
E uma noite, em que o Mundo agitado pôs-se a sonhar sonhos eróticos, subitamente partiu ele, o lindo corpúsculo seminal, sequioso e certeiro em direção à Lua, que, em sua emoção pré-nupcial, mostrava com um despudor desconhecido nela as manchas mais capitosas de seu branco corpo à espera.
Foi preciso que o Vento, seu antigo guardião, escandalizado, se pusesse a soprar nuvens por todos os lados, com toda a força de suas bochechas, para encobrir o firmamento com véus de bruma, de modo a ocultar a volúpia da Lua expectante, a altear os quartos nas mais provocadoras posições.
Hoje, fecundada, ela voltou finalmente ao céu, serena e radiosa como nunca a vira dantes.
Pela expressão com que me olhou, penso que já está grávida.
Ou muito me engano, ou amanhã deve estar cheia.
(Para viver um grande amor (crônicas e poemas) De VINÍCIUS DE MORAES)

Uma música que seja...

... como os mais belos harmónicos da natureza. Uma música que seja como o som do vento na cordoalha dos navios, aumentando gradativamente de tom até atingir aquele em que se cria uma recta ascendente para o infinito. Uma música que comece sem começo e termine sem fim. Uma música que seja como o som do vento numa enorme harpa plantada no deserto. Uma música que seja como a nota lancinante deixada no ar por um pássaro que morre. Uma música que seja como o som dos altos ramos das grandes árvores vergastadas pelos temporais. Uma música que seja como o ponto de reunião de muitas vozes em busca de uma harmonia nova. Uma música que seja como o voo de uma gaivota numa aurora de novos sons...

Vinicius de Moraes, in Poesia completa e prosa: "A lua de Montevideu", 1998

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Ci>> ... para viver um grande amor!!!

Poema de Aniversário (ADAPTADO)

Porque fizeste anos, Bem-amado, e a asa do tempo roçou teus cabelos negros, e teus grandes olhos calmos miraram por um momento o inescrutável Norte…
Eu quisera dar-te, ademais dos beijos e das rosas, tudo o que nunca foi dado por uma mulher à seu amado, eu que tão pouco te posso ofertar. Quisera dar-te, por exemplo, o instante em que nasci, marcado pela fatalidade de tua vinda. Verias, então, em mim, na transparência do meu peito, a sombra de tua forma anterior a ti mesmo.
Quisera dar-te também o mar onde nadei menina, o tranqüilo mar de ilha em que me perdia e em que mergulhava, e de onde trazia a forma elementar de tudo o que existe no espaço acima — estrelas mortas, meteoritos submersos, o plancto das galáxias, a placenta do Infinito.
E mais, quisera dar-te as minhas loucas carreiras à toa, por certo em premonitória busca de teus braços, e a vontade de grimpar tudo de alto, e transpor tudo de proibido, e os elásticos saltos dançarinos para alcançar folhas, aves, estrelas — e a ti mesmo, luminoso, a derramar claridade em mim menina.
Ah, pudesse eu dar-te o meu primeiro medo e a minha primeira coragem; o meu primeiro medo à treva e a minha primeira coragem de enfrentá-la, e o primeiro arrepio sentido ao ser tocada de leve pela mão invisível da Morte.
E o que não daria eu para ofertar-te o instante em que, jazente e sozinha no mundo, enquanto soava em prece o cantochão da noite, vi tua forma emergir do meu flanco, e se esforçar, imensa ondina arquejante para se desprender de mim; e eu te pari gritando, em meio a temporais desencadeados, rota e imunda do pó da terra.
Gostaria de dar-te, e-Namorado, aquela madrugada em que, pela primeira vez, as brancas moléculas do papel diante de mim dilataram-se ante o mistério da poesia subitamente incorporada; e dá-la com tudo o que nela havia de silencioso e inefável — o pasmo das estrelas, o mudo assombro das casas, o murmúrio místico das árvores a se tocarem sob a Lua.
E também o instante anterior à tua vinda, quando, esperando-te chegar, relembrei-te ainda adolescente naquela mesma cidade em que te reencontrava anos depois; e a certeza que tive, ao te olhar, da fatalidade insigne do nosso encontro, e de que eu estava, de um só golpe, perdida e salva.
Quisera dar-te, sobretudo, Amado meu, o instante da minha morte; e que ele fosse também o instante da tua morte, de modo que nós, por tanto tempo em vida separados, vivêssemos em nosso descenso uma só eternidade; e que nossos corpos fossem embalsamados c sepultados juntos e acima da terra; e que todos aqueles que ainda se vão amar pudessem ir mirar-nos em nosso último leito; e que sobre nossa lápide comum jazesse a estátua de um homem parindo uma mulher do seu flanco; e que nela houvesse apenas, como epitáfio, estes versos finais de uma canção que te dediquei:
… dorme, que assim
dormirás um dia
na minha poesia
de um sono sem fim…

adaptado do "Poema de Aniversário" de Vinícius de Moraes

domingo, 6 de dezembro de 2009

Aceitação

Aceitação é aquele estado em que você pode ficar diante de sua própria natureza e não se esquivar, ver o que está bloqueando e permanecer neutro.
No início, o simples ato de olhar é um desafio; no fim, o desafio é passar além do que você vê e ver tudo mudar. Porque olhar de cima é como se, livres do seu toque, os problemas se dissolvessem sozinhos.
Acima de tudo, a aceitação é estar longe, longe daquele estado de ódio que resulta geralmente do medo.

Autor Anthea Church
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Ci>> ou ainda, aceitação é enxergar que o que está longe o está simplesmente pelo fato de que não pode ser teu ainda, que por alguma peça do destino, deve permanecer por mais um tempo além das tuas possibilidades... a aceitação neste caso é justamente não se ver desesperar por isso, e crer que, há um universo maior que isso, capaz de se mover a seu favor, e que te trará o que for melhor para voce, mesmo que seja algo/alguém diferente do que se quer... há um Deus que vê suas necessidades e suas súplicas, e apesar de ouvir seus pedidos, te dá o que melhor te será para seu progresso... a história não mente, assim é!

CONTIGO NA MADRUGADA

"Não estás só, meu amado
Estou contigo em pensamento.
Por minutos minha alma, desesperada abandonou o corpo que a mantém aprisionada
livre, liberta foi ao teu encontro voando em céu aberto.
Por eternidades enlaçastes-me a cintura e com muita ternura conduzistes-me ao nosso secreto jardim
Longe dos olhos e perto do coração
Não há distancia entre mim e ti
Juntos num instante dançamos a dança do amor.
Estrelas cintilantes espiavam nossa felicidade
Nossos corpos tinham cor brilhante do fogo de uma paixão do fulgor de um amor
que ultrapassou todos os portais das impossiblidades
E naquele breve momento nos amamos como crianças,
com renovada esperança; nos amamos como um homem e mulher
nas loucuras de quem sabe o que quer
Nos amamos com almas puras,como duas criaturas que se buscam na madrugada
dois seres solitários, mas não sozinhos, pois temos o nosso amor
que nos dá força pra prosseguir nossa jornada
como paralelas, encontrarmos em algum caminho
sem o mundo, sem dor, sem solidão
o meu e o teu coração cantando a música da vida
dançando nossa canção."

Autor ANNA PAES
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Ci>> pelo visto isso é mais comum do que parecia... e eu achei que fosse algo tão particular...

ESTÁ TUDO EM MIM...

Meus amanheceres, meus anoiteceres...
Meus crepúsculos feitos de magia...
Meus sonhos contigo sonhados...
Desejos de lábios beijados,
de corpos unidos na mesma alquimia...

Silêncio pulsante no rasgo da alma,
mostrando o vazio que causa a saudade,
viva cicatriz que parece eterna,
nem mesmo os cristais dos meus olhos, externam
a dor tão cruel, desta realidade...

Que ventos levaram amor tão intenso,
deixando em meu peito, só a chaga, aberta?
Na mente, lembranças em turbilhão,
cravado estilete, no meu coração...
Um nó que o destino, mais e mais, aperta...

Vinho escarlate que me embriaga,
Aroma de rosas que me inebriam,
ondas do mar que me entontecem...
Oh, Deus, essas coisas, quase me enloquecem!
São parte de tudo, que ontem vivíamos...

Dormir e, por Deus, nunca mais acordar...
Sem ti ao meu lado, viver é impossível!
Teu cheiro, teu gosto... Está tudo, em mim!
Um amor tão grande, acabar assim...
Como pode existir algo tão terrível?

Que o vento sopre e leve, prá longe,
a saudade que fere, que tanto castiga!
Eu quero dormir, da dor, esquecer...
Encontrar nos sonhos, talvez, o prazer
da boca que é a fonte, que a sede mitiga...

(Publicado amiga oculta at Quinta-feira, Dezembro 03, 2009 - Autor Arianne Evans)
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Ci>> sensações recolhidas, guardadas dentro de um ponto obscuro, prestes a explodir... sentimentos meus, teus, nossos....pq não? pq não???

Lei da atração

Segundo a lei, o seu pensamento atrai aquilo que você deseja. Sua vida é reflexo dos seus pensamentos, logo o que você tem na sua mente é o que vai ter na sua mão. Por meio dessa lei poderosíssima, seus pensamentos se transformam nas coisas de sua vida.
Portanto, se você tem um pensamento repetidas vezes, como imaginando aquele carro zero, aquele dinheiro que precisa, aquele emprego, ou encontrar sua alma gêmea; seu pensamento envia um sinal magnético que atrai como um ímã essas coisas. Afinal, as vibrações das forças mentais são as mais poderosas que existem. Então imagine, e você atrairá isso.
Sempre dá certo, com qualquer pessoa.
A lei da atração não se importa se você acha algo como bom ou ruim, ou se você o deseja ou não. Ela apenas reage aos seus pensamentos. Ela é impessoal e não distingue as coisas boas das más. Recebe os seus pensamentos e os reflete de volta, ela simplesmente lhe dá seja lá o que for que esteja no seu pensamento.
A lei da atração lhe dará o que você quiser, para isso basta você se concentrar em algo, seja lá o que for, você estará fazendo com que ela passe a existir.
Mãos a obra, comece a exercitar: concentra seus pensamentos em algo que deseja, e mantenha-se concentrado, Toda vez que seus pensamentos fluem, a lei da atração estará funcionando, é um processo contínuo, assim como seus pensamentos. Toda vez que você pensar de forma intensa e prolongada, algo se manifestará a partir desses pensamentos. Aquilo que você mais pensa ou em que mais se concentra é o que vai se manifestar na sua vida.
VOCÊ CRIA A SUA VIDA!! Tudo dependerá do que você plantar.
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Ci>> do blog "amigos da Ota e da Poesia" - autor desconhecido... - ok, permanecemos em treinamento contínuo.. se eu comprovar a teoria, conto a todos, prometo..rs

*Momentos na vida...*

"Há momentos na vida em que sentimos tanto a falta de alguém que o que mais queremos é tirar esta pessoa de nossos sonhos e abraçá-la. Sonhe com aquilo que você quiser. Seja o que você quer ser, porque você possui apenas uma vida e nela só se tem uma chance de fazer aquilo que se quer. Tenha felicidade bastante para fazê-la doce. Dificuldades para fa zê-la forte. Tristeza para fazê-la humana. E esperança suficiente para fazê-la feliz. As pessoas mais felizes não têm as melhores coisas. Elas sabem fazer o melhor das oportunidades que aparecem em seus caminhos. A felicidade aparece para aqueles que choram. Para aqueles que se machucam. Para aqueles que buscam e tentam sempre. E para aqueles que reconhecem a importância das pessoas que passam por suas vidas. O futuro mais brilhante é baseado num passado intensamente vivido. Você só terá sucesso na vida quando perdoar os erros e as decepções do passado. A vida é curta, mas as emoções que podemos deixar duram uma eternidade. A vida não é de se brincar porque um belo dia se morre. "
(do blog da Helen, por Clarice Lispector)
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Ci>> para uma estrela azul... para aquele sol que ainda há de brilhar sobre nós, nos abençoando com sua luz forte a viver um grande e eterno momento, como aqueles que só os merecedores capazes de sentir a emoção deste podem viver... para voce, que sabe que é a estrela azul de alguém, aquela estrela que este alguém espera, todos os dias... para voce que sabe que é por VOCE, e só por VOCÊ, que alguém desperta todas as manhãs com um novo ar nos pulmões... Não limitemos Deus em nossas vidas, Ele é muito maior que nossas aspirações, e para Ele, NADA, absolutamente NADA é impossível... a fé é um Dom, voce deve ser capaz de encontrar este Dom dentro de voce... faça acontecer, busque... CONFIE!

"Huellas del viento" Canto de arena y tiempo...

Árido e indómito... tierras de mito cuando el sol cae encendiendo el desierto.

Nuestros ojos recorren estos lugares, como un ave en busca de los tonos claros o de las escondidas formas de este mágico mundo.

Al amanecer empieza la cacería de una imagen fija de ese nuestro desierto; la búsqueda incesante de los pasos del viento o de las formas casi tan humanas que a veces nos trae imágenes de los antiguos habitantes de estos senderos.

Esto es más que un lugar inhóspito o de unas formas que se mueven al son de los vientos donde cantan la expresión de esta agreste naturaleza. Son también ecos que resuenan en nuestro ser interno como imagen de búsquedas personales.

Esta es la magia que nos lleva a recorrer el desierto con otra mirada, tal vez un paso más lento, seguro, mostrándonos los cambios de las arenas o las brillantes huellas del soñador que las atravesó en la esperanza de un encuentro.

Son nuestras arenas, nuestros mundos cambiantes, nuestro sol abrasador y nuestros misterios encerrados en paisajes...

(Helen, do blog "Simplemente Yo")

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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

DEFINIÇÃO DE SAUDADE -

artigo do Dr. Rogério Brandão, Médico oncologista


Como médico cancerologista, já calejado com longos 29 anos de atuação
profissional (...) posso afirmar que cresci e modifiquei-me com os dramas
vivenciados pelos meus pacientes. Não conhecemos nossa verdadeira dimensão
até que, pegos pela adversidade, descobrimos que somos capazes de ir muito
mais além.

Recordo-me com emoção do Hospital do Câncer de Pernambuco, onde
dei meus primeiros passos como profissional... Comecei a freqüentar a
enfermaria infantil e apaixonei-me pela oncopediatria. Vivenciei os dramas
dos meus pacientes, crianças vítimas inocentes do câncer. Com o nascimento
da minha primeira filha, comecei a me acovardar ao ver o sofrimento das
crianças.

Até o dia em que um anjo passou por mim! Meu anjo veio na forma de uma
criança já com 11 anos, calejada por dois longos anos de tratamentos
diversos, manipulações, injeções e todos os desconfortos trazidos pelos
programas de químio e radioterapias. Mas nunca vi o pequeno anjo
fraquejar. Vi-a chorar muitas vezes; também vi medo em seus olhinhos;
porém, isso é humano!

Um dia, cheguei ao hospital cedinho e encontrei meu anjo sozinho no
quarto. Perguntei pela mãe. A resposta que recebi, ainda hoje, não consigo
contar sem vivenciar profunda emoção.

— Tio, — disse-me ela — às vezes minha mãe sai do quarto para chorar
escondido nos corredores... Quando eu morrer, acho que ela vai ficar com
muita saudade. Mas, eu não tenho medo de morrer, tio. Eu não nasci para esta
vida!

Indaguei:
— E o que morte representa para você, minha querida?
— Olha tio, quando a gente é pequena, às vezes, vamos dormir na cama do
nosso pai e, no outro dia, acordamos em nossa própria cama, não é? (Lembrei
das minhas filhas, na época crianças de 6 e 2 anos, com elas, eu procedia
exatamente assim.)
— É isso mesmo.
— Um dia eu vou dormir e o meu Pai vem me buscar. Vou acordar na casa Dele,
na minha vida verdadeira!

Fiquei "entupigaitado", não sabia o que dizer. Chocado com a maturidade com
que o sofrimento acelerou, a visão e a espiritualidade daquela criança.
— E minha mãe vai ficar com saudades — emendou ela.

Emocionado, contendo uma lágrima e um soluço, perguntei:
— E o que saudade significa para você, minha querida?
— Saudade é o amor que fica!

Hoje, aos 53 anos de idade, desafio qualquer um a dar uma definição melhor,
mais direta e simples para a palavra saudade: é o amor que fica!
Meu anjinho já se foi, há longos anos. Mas, deixou-me uma grande lição
que ajudou a melhorar a minha vida, a tentar ser mais humano e
carinhoso com meus doentes, a repensar meus valores. Quando a noite chega,
se o céu está limpo e vejo uma estrela, chamo pelo "meu anjo", que brilha
e resplandece no céu.
Imagino ser ela uma fulgurante estrela em sua nova e eterna casa. Obrigado
anjinho, pela vida bonita que teve, pelas lições que me ensinaste, pela
ajuda que me deste. Que bom que existe saudade! O amor que ficou é eterno.

Rogério Brandão
Médico oncologista clinico
RC Recife Boa Vista D4500


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Ci>> para vc, meu irmãozinho (Lilo)... o amor que ficou nunca vai sair
daqui... tá bem guardado, em um lugar só seu, ninguém substituirá! Obrigada
por ser aquela estrela que brilha quando eu mais preciso de voce! Obrigada
por ter passado em minha vida, voce foi o melhor DETALHE que eu pude ter...
[só assim, sinto vc bem perto de mim... outra vez!]