sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

A impontualidade do amor

Você está sozinho. Você e a torcida do Flamengo. Em frente a tevê, devora
dois pacotes de Doritos enquanto espera o telefone tocar. Bem que podia ser
hoje, bem que podia ser agora, um amor novinho em folha.
Trimmm! É sua mãe, quem mais poderia ser? Amor nenhum faz chamadas por
telepatia. Amor não atende com hora marcada. Ele pode chegar antes do
esperado e encontrar você numa fase galinha, sem disposição para
relacionamentos sérios. Ele passa batido e você nem aí. Ou pode chegar tarde
demais e encontrar você desiludido da vida, desconfiado, cheio de olheiras.
O amor dá meia-volta, volver. Por que o amor nunca chega na hora certa?
Agora, por exemplo, que você está de banho tomado e camisa jeans. Agora que
você está empregado, lavou o carro e está com grana para um cinema. Agora
que você pintou o apartamento, ganhou um porta-retrato e começou a gostar de
jazz. Agora que você está com o coração às moscas e morrendo de frio.
O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa
uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara
em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não
foi pra praia no final de semana. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns
aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio
numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar
a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas,
nunca está onde a gente pensa.
O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode
estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um
banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando
sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o
maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.
A primeira lição está dada: o amor é onipresente. Agora a segunda: mas é
imprevisível. Jamais espere ouvir "eu te amo" num jantar à luz de velas, no
dia dos namorados. Ou receber flores logo após a primeira transa. O amor
odeia clichês. Você vai ouvir "eu te amo" numa terça-feira, às quatro da
tarde, depois de uma discussão, e as flores vão chegar no dia que você tirar
carteira de motorista, depois de aprovado no teste de baliza. Idealizar é
sofrer. Amar é surpreender.

Martha Medeiros

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Ci>> OK, Capitão! Mudando a rota! rs

Gizella

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