domingo, 21 de março de 2010

A HORA IMÓVEL

Tenho dúvidas se estou por dentro
ou por fora
mesmo na hora do amor.
Pareço letra perdida à procura
da palavra.
Mas as palavras também se perderam
dos usos cotidianos
e da realidade .
Elas escaparam do papel
e criaram seus próprios espaços
cênicos.
Fala-se que as palavras se libertaram
e que elas hoje freqüentam
outros ambientes.
Estão em objetos e performances.
Em leis que não são aplicadas

E eu fico aqui me perguntando
onde está a palavra antes da palavra?
Aquela que nos devolve sem cessar
a consciência da total ambivalência?
Aquela que rompe com os marcos
da duração e estabelece a hora imóvel
que os relógios não marcam?

Rubens Jardim
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Ci>> "Eu fico aqui me perguntando: onde está a palavra antes da palavra? [...]" - Não sei, não a encontro. É uma ponta de um fio de lã, e eu não consigo puxar denovo. As palavras se foram com a emoção, com a inspiração... hoje vejo outras palavras, sinto as palavras (aqui dos outros) mas não consigo reproduzir mais as minhas. Estão tão reprimidas que ainda que eu faça uma viagem dentro de mim mesma, não consigo encontrar a trilha... estou cheia de ruas, cheia de bifurcações, setas e placas para todos os lados... para onde ir???

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