sábado, 3 de abril de 2010

Elogio e encorajamento

(Texto adaptado do livro Insight de Daniel Carvalho Luz - do site do primeiro programa)

No primeiro capítulo do livro Esconde-Esconde, Dr. James Dobsone conta uma impressionante história que, ao ler o relato ou ouvir a vida deste jovem, você jamais o esquecerá.
“Ele começou a vida com todos os obstáculos e desvantagens. Sua mãe era uma mulher dominadora, de vontade forte, que achava difícil amar as outras pessoas. Casou-se três vezes, e o segundo marido divorciou-se dela, porque ela o espancava regularmente. Morreu de um ataque cardíaco alguns meses antes do nascimento do filho. Em conseqüência, a mãe teve de trabalhar longas horas, desde a mais tenra infância do filho.
Ela não lhe deu nenhum afeto, amor, disciplina ou educação, nos seus primeiros anos de vida. Até o proibiu de telefonar-lhe quando estava trabalhando. Outras crianças não queriam saber dele, por isso estava quase sempre sozinho. Foi totalmente rejeitado desde treze anos de idade, o psicólogo de uma escola comentou que provavelmente, o rapaz nem sabia o significado da palavra “amor”. Durante a adolescência, as meninas não queriam saber dele, e ele brigava com os garotos.
Apesar de um Q.I. alto, fracassou na escola e finalmente, no penúltimo ano do segundo grau, desistiu de estudar. Pensou que seria aceito no Corpo de Fuzileiros Navais. Dizia-se que eles formavam homens de verdade, e era isso que ele queria ser. Mas seus problemas o acompanharam. Seus colegas fuzileiros riam dele e o ridicularizavam. Ele se defendeu, resistiu à autoridade, enfrentou uma corte marcial e foi expulso da corporação. Ali estava ele – um jovem com pouco mais de vinte anos – sem amigo e totalmente arrasado. Era pequeno e magro. Sua voz era esganiçada como a de um adolescente. Estava ficando calvo. Não tinha talento, nem habilidade, nem valor. Não tinha nada.
Mais uma vez pensou que podia fugir dos seus problemas, desta vez mudando-se para um outro país. Mas lá também foi rejeitado. Nada mudou. Casou-se lá com uma jovem que era filha ilegítima, e a trouxe consigo, quando de volta aos Estados Unidos. Logo, ela começou a alimentar por ele, o mesmo desprezo que todos demonstravam. Deu-lhe dois filhos, mas ele nunca gozou da posição e do respeito que um pai deve ter. Seu casamento continuou a esfalecer-se. Sua esposa exigia, cada vez mais, coisas que ele não lhe podia dar. Em lugar de aliar-se a ele contra o mundo amargo, como ele esperava, tornou-se o seu mais cruel inimigo. Conseguia vencê-lo nas brigas e sabia como intimidá-lo. Em determinada ocasião, trancou-o no banheiro para vingar-se. Finalmente, ele foi levado a sair de casa.
Tentou viver sozinho, mas sentia-se muito só. Depois de alguns dias, foi para casa e literalmente implorou que ela o aceitasse de volta. Perdeu todo o orgulho próprio. Rastejou-se. Humilhou-se, aceitou suas exigências. Apesar de seu magro salário, deu-lhe algum dinheiro para que gastasse como bem entendesse. Mas ela riu dele, zombou de suas frágeis tentativas para sustentar a família. Ridicularizou seu fracasso. Zombou de sua impotência sexual diante de um amigo. Em certa ocasião, envolvido pelas trevas de seu pesadelo, caiu de joelhos e chorou amargamente.
Finalmente escolheu o silêncio; deixou de lutar. Ninguém o queria. Ninguém jamais o quisera. Talvez fosse o homem mais rejeitado da atualidade. Seu ego jazia despedaçado, feito pó.
No dia seguinte, era um homem estranhamente diferente. Levantou-se, foi à garagem e apanhou uma espingarda que escondera ali. Levou-a consigo para o emprego, que acabara de arranjar, em um depósito de livros. E de uma janela do terceiro andar daquele prédio, logo depois do almoço, no dia 22 de novembro de 1963, atirou duas balas, que esfacelaram a cabeça do presidente John F. Kennedy”.
Este relato brutal de como Lee Harvey Oswald cresceu sem amigos, sem amor, encorajamento, elogios, ou disciplina, realmente nos faz sentir um arrepio percorrer a espinha. Muitas vezes somos culpados de tratar as pessoas dessa mesma forma, e até aqueles que mais amamos.
Quando podíamos ter amado, retivemos a afeição. Quando poderia ter sido tão simples responder com um sorriso e um cumprimento, criticamos. Quando nos deparamos com um montinho de terra, nós o transformamos em um Monte Everest emocional. Quando uma única palavra de ânimo poderia ter iluminado o dia, por razões ignoradas, decidimos permanecer silenciosos.
Ao agir desse modo, pode ser que não estejamos acionando o processo de formação de um assassino, mas, também pode ser que sim. Na verdade, matamos alguma coisa, pois miramos nossa espingarda de rejeição contra a auto-estima e o auto-respeito dessa pessoa. Disparamos nossa arma; chamamos as tropas; lançamos as bombas, ganhamos uma pequena guerra...
Mas será que vencemos mesmo? Um momento de crueldade como esse pode matar intimamente, mesmo que só um pouco, nosso amigo, nosso cônjuge, nosso colega, nossos pais, nosso filho. Todavia, o que talvez tenhamos deixado de perceber é que também morremos um pouco.
Reflita sobre isso.


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Ci>> Somos responsaveis por aqueles que cativamos sim, mas somos mais responsaveis por aqueles que machucamos, pelos que ofendemos, por aqueles que esperavam uma palavra de sobriedade, e ao contrário, entregamos uma palavra causadora de dor. Mais do que amar, temos que ser capazes de entender, DE PERDOAR. Estamos longe da perfeição, portanto dificilmente se esquece uma ofensa que recebemos. Mas é possível devolver uma ofensa com uma gentileza. Prefiro acreditar que somos mais responsaveis por aqueles que machucamos, do que por aqueles que cativamos... só assim passo a prestar maior atenção naqueles que nem sempre são compreendidos, ou pior, naqueles que EU não pude compreender!

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