segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Eu, Aqui e Agora

TEXTO DESTA SEMANA NA AGENDA ATITUDE 2010
Recentemente fiquei comovida ao ler uma poesia chamada "Pano de chão", do poeta Michio Mado:
Quando volto para casa em um dia de chuva o pano de chão está me esperando com a cara de um pano de chão. Um rosto conhecido! Mas certamente não era sua opção tornar-se um pano de chão. Até pouco tempo atrás tinha a cara de uma camisa. "Sou uma camisa", dizia. Era macia como se fosse minha segunda pele, mas certamente tornar-se camisa não foi sua opção. Talvez há muito tempo, em uma terra como a América, teria sorrido como uma flor de algodão sorrindo para o vento e para o sol.
Se eu fosse um pano de chão, talvez dissesse: "Seria melhor ser uma camisa". Ou então: "Agora me tornei um pano de chão, mas antes eu era uma bela camisa". Um pano de chão que se lamenta assim não é útil. Não é nada fácil um pano de chão com a forma de uma camisa. Desempenhar plenamente o papel que nos foi confiado significa transformar-se plenamente em uma camisa quando temos que ser uma camisa, e voltar a ser um pano de chão quando devemos ser um pano de chão.
Esta é a imagem de quem vive seguindo o caminho da verdade sem pensar em seus desejos caprichosos.
Pensar que o pano de chão não é importante e tem menos valor do que a camisa é uma idéia banal, a mentalidade típica dos seres humanos. Neste mundo não há diferença de valor entre um objeto e outro. Ouvi dizer que um pino de poucos milímetros que sustenta os mecanismos de um relógio de cem mil dólares custa apenas dez dólares. Mas este pino tão barato é tão essencial ao funcionamento da vida quanto um objeto muito mais caro. Cada parte do relógio tem seu papel no funcionamento do mecanismo e, a cada instante, trabalha sem cessar para que o relógio não pare. Também nosso trabalho - qualquer que seja ele - é como as engrenagens de um relógio, mantendo uma família, uma empresa, um país e o mundo.
Se trabalharmos seriamente a cada instante, colocando de lado nossos pensamentos e interesses egoístas, podemos nos transformar em uma luz que ilumina as pessoas que nos circundam. Nossa presença por si só é suficiente para iluminar e nos tornamos a própria aparição da verdade e do bem comum.
(Shundo Aoyama Roshi, abadessa do Mosteiro Feminino de Aichi)
DO SITE DO PRIMEIRO PROGRAMA - TEXTOS DO DIA 15/11/10
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Ci>> tirando o pó do Blog - talvez o pano de chão seja a peça chave para todo o sistema funcionar... talvez ele não brilhe como aquela peça importada, ou tenha a etiqueta daquele belissimo e viajado sueter, mas ele tem tanto valor quanto as demais peças da engrenagem, e muitas vezes, é dele a responsabilidade para que tudo ande em exata e perfeita harmonia. Pensemos nisso todos os dias, quando pensarmos em olhar alguém de cima para baixo...

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